Essa gente…

 

Acho enfadonho alguém comedido, alguém que se assusta com a própria sombra durante um passeio à sós ou alguém que recusa-se a encarar o espelho. Ora, tenho vontade de dar-lhe uns tabefes e veja bem, eu não sou à favor da violência, levanto a bandeira branca sempre, mas tenho pavor dessa tal gente comedida. Tenho pavor. Tenho pavor de quem não sabe olhar pra si próprio, deixar de engolir sapos e que não sabe parar de se rasgar por inteiro se doando e se doando sem retorno.
A solidão não é sua inimiga, é um exercício diário de compaixão com o universo que existe em você. A coragem se faz amiga fiel e o que mais posso te dizer? Ela é efêmera. Rude. Tocável e tangível. Ela é necessária.
Outro dia acordei ofegante no meio da noite, eu estava lá… morrendo em um sonho ruim, e é engraçado, quantas vezes a gente deseja a morte durante a vida? Que besteira, tudo da boca pra fora. Você nunca repara, repara agora, você têm uma engrenagem doida e inexplicável aí dentro. São milhares de células, átomos, terminações nervosas, é você. Você não quer que isso acabe, puf! Virei pó. Não, você não quer.
Tudo lhe é lícito, você não precisa de uma caixinha. Ninguém precisa de uma caixa, o céu é aquela velha tela em branco que você pode alcançar com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Você não pôde conter o fluxo do universo que te massacrou e te desnorteou por inteiro, antes. Você pode contê-lo agora. A vida é sempre o agora. O instante. O breve. O seguinte… tic-tac
Viver sem paixões, viver sem se estabanar e enfrentar o vazio é uma evidência do não viver. O vazio é assustador, mas é nele que encontramos abrigo para nossos monstros, certezas para nossas dúvidas à respeito de nós mesmos.
Você já presenciou o dia raiando? Aquele momento em que o céu se divide entre as trevas e a luz. O momento em que você espera impacientemente a luz tomar conta, porque às vezes a escuridão te assusta. Pensou o quanto não ter a promessa do dia seguinte é triste, é desumano. Você precisou das trevas para entender isso. A escuridão assim como o vazio, a solidão e tudo que parece doer, é tão necessário quanto a luz do sol. E, eu ainda não entendo essa gente comedida que se contenta com qualquer coisa.
Tenho pavor, e veja bem, meu bem, comover-se em excessos é enxergar beleza no mundo e mais do que isso, enxergar beleza em si mesmo. Você precisa mais do que ninguém, você precisa.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s