Carta de amor a Anne with an E

Setembro, 2018. 

Há algo de romântico e trágico em escrever cartas, mas julgo estar a fazer a coisa certa, conforme a situação exige de mim, eu cá, recém chegada da ilha de príncipe Eduardo ao final do século XIX, preciso impacientemente externar toda a minha gratidão [preciso dizer que estou a falar de forma teatral?].

Cara, Anne with an E, tinham me dito que a sua força e inteligência para lidar com as situações difíceis era o deleite desse seriado, me disseram também que era preciso ter um coração grande e uma alma sensível para gostar de sua história, espero não estar sendo pretensiosa, mas toda a sua composição envolveu-me de imenso, meu coração vicejante está revigorado.

Green Gables é mesmo um lugar adorável, eu viveria pra sempre aí, é bucólico e propenso para sonhos, os campos vastos com flores silvestres de todas as cores ornando o caminho, ou mesmo, a ‘estrada branca do deleite’ e o som do mar batendo nas rochas lá ao fundo é tão especial, tu me dissestes que não saberia o que fazer sem a imaginação, que preferes imaginar a lembrar e, acho que também prefiro, gosto de imaginar uma porção de coisas e existem coisas as quais não queria lembrar…

Ah, o inverno! O inverno em Green Gables também me é fascinante, muito me apazígua observar a neve cair e os celeiros ficarem cobertos, e a copa das árvores e observar o vapor do chá das cinco a sair do pequeno bule enquanto se aquece defronte a lareira, um charme só, os pequenos prazeres da vida em uma fotografia esplendorosa.

Gosto da maneira com que você toca as feridas, sejam elas suas ou de outrem, você me disse que há sempre algo de bom pra aprender com as situações até mesmo com as ruins, que elas constroem caráter, disse-me que coisas quebradas tem uma certa beleza triste e eu achei isso tão glorioso, imaginei o quão único é viver, ainda que nos rasgue. Guimarães Rosa já dizia: “Viver é um rasgar-se e remendar-se.” Ah, que tolos somos nós em deixar o mundo nos engolir, quando nosso espírito livre e voraz pode ressignificar tudo ao nosso redor, e também somos tolos ao querer privar-se dos rasgos, é tudo tão inevitável.

Gosto de como apesar de todo o tom mágico que carrega, tu consegues explorar os tabus de forma sensível, consegues ser fiel a teu tempo e inda assim ser atemporal, a vulnerabilidade que habita em ti é o presente mais brando e sincero (quem dera existisse um pouco de Anne em cada um de vós).

Anne Shirley-Cuthbert com seus longos e facundos monólogos e momentos de solidão solene, assim como também, toda a sua ânsia e desejo irreparável de enxergar beleza no mundo, te concedo a minha gratidão eterna por ter-me sido tão especial, tão inefável pra mim, por ter me arrancado suspiros e risadas, por ter me mostrado o quão maravilhoso é deixar-se sentir o alumbramento em si.

Com amor, Maby.

P.S: receio que gostaria de uma carta ainda maior, mas prometo lhe visitar com veemência!

1- temporada

2- temporada

6 comentários Adicione o seu

  1. Mayara Freire disse:

    Nossa, deu até curiosidade de ver rs

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    1. Maby Ferreira disse:

      É tão preciosa, vê! Creio que irás gostar e entender minha rasgação de seda haha! ♡♡♡

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  2. Depois de ler o texto fiquei com vontade de ver! Muito bom!

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    1. Maby Ferreira disse:

      Fico contente com isso, João! Espero que goste tanto quanto eu! hehe!

      🙂

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  3. Mayara Sá disse:

    Esqueceu de chamá-la de “Srta.” Ela com certeza vai salritar com uma emoção latejante em seu peito efervescente (kkkkkkkk essa menina contagia mesmo)
    Amei a série e agradeço a senhorita por ter me “forçado” a ver!
    Beijos, adorei a cartinha! ❤

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    1. Maby Ferreira disse:

      Eita! agora que falou, lembrei da carta do Gilbert! Hahah!
      Ela contagia mesmo, os personagens e os espectadores.

      P.S: continuarei “forçando” vossa senhoria a outras aventuras! rsrs ♡

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