Os filmes de 2018 (até agora)

Eu sempre deixo uma meta de filmes e livros que quero ver/ler durante o ano, normalmente 50 filmes e 25 livros. Eu consigo? Não, eu nunca consigo (confesso), mas esse ano até que eu cheguei perto.

Claro que não vou relatar aqui a lista completa, mas eu decidi fazer um aparato geral dos filmes (por hora, pera que tô terminando uns livros), mini resenhas e quem sabe isso sirva de indicação pra vocês.

P.S: se você for míope, desculpe eu pela fonte nas ibages!

Capitão fantástico (2016)

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Um filme sem dúvidas subestimado. Capitão fantástico consegue ir do drama à comédia na medida exata e ainda rende uma cena musical de encher os ouvidos, ao som de “Sweet Child O’ Mine”.  O ponto que merece muito destaque além da fotografia, direção de arte e montagem, é sem dúvidas, o roteiro. Priorizar a imagem de uma família libertária que foca no amor ao invés da premissa  “somos revoltados!”, é de fazer a gente apaixonar.

Brooklyn (2015)

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Um drama/romance de época (ambientado no inicio dos anos 50) que tinha tudo pra ser só lencinhos de papel, mas consegue a proeza de ser bem leve sem nos deixar perder os conflitos de vista. Saoirse Ronan como sempre impecável,  figurinos e fotografia também, além de breve espaço para o tema imigração. O ponto alto aqui é observar delicadamente a transição da personagem Ellis entre a inocência e a sagacidade. O romance engatado à moda antiga é um charme sem tamanho e, mesmo assim, o filme consegue ser sensível sem ser meloso.

Renoir (2012)

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Como um ser humano que adora babar obras de arte (porque eu adoraria saber pintar, desenhar, esculpir… whatever rs), a Netflix me sugeriu – alá, controle de dados – o dito filme. O filme não é uma cinebiografia do pintor, é mais um recorte dos últimos anos de vida do Auguste e curiosamente o seu filho recém chegado da guerra toma um espação no longa (a hora sagrada do romance, claro). O ponto alto deste é obviamente mostrar o ambiente de trabalho do Renoir, as paisagens francesas e seu processo de criação. O filme mostra como o pintor adorava pintar ao ar livre, fazer contrastes entre a modelo com a natureza.

A espuma dos dias (2013)

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Confesso que eu vi por causa da Audrey Tatuou, eu amei e odiei o filme. Eu amei porque ele é surrealista, cheio de parafernálias e situações lúdicas que são estranhas, mas me atraem e dá pra pensar nisso de forma poética. Odiei porque os personagens são rasos, a história é bem rasinha. O que fica a impressão de que o diretor meio que disse “fodasseee a intensidade de um enredo, eu quero é fazer um filme loucão”, basicamente. O ponto alto é atrair pessoas que gostam de umas viagens aleatórias numa fábrica de criatividade sem sentido algum (deu pra entender?).

Uma história de amor e fúria (2013)

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O quanto eu amei essa animação, m-e-u Deus. Sim, é uma animação brasileira. Uma animação para jovens e adultos que conta a história do Brasil, porém de uma maneira habitualmente “negada”, a história pelo olhar dos oprimidos. A história passa pelos períodos mais sombrios da construção da nossa sociedade, desde a colonização (genocídio indígena etc), escravidão e ditadura militar, sem se importar em “atacar” figuras consideradas heróis, como Duque de Caxias.  Outro ponto alto é espaço para distopia, o longa explora um possível futuro, destacando a presença de milícias e trazendo como problema principal a falta de água.

Todo dia (2017)

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A história central é boa, uma ideia bem interessante, mas infelizmente mal explorada, cai no clichê. É incrível mostrar o viés da diversidade, a ideia de que o corpo não necessariamente reflete a identidade e de que o amor é maior do que a aparência, e poderia sair mais água dessa fonte? Poderia… Apesar de uma preocupação com a estética fotográfica de filmes indie-adolê (mesmo tom de “Se eu ficar, “Antes que o dia termine”, “cidades de papel” etc) e trilha sonora de rock melódico etc, o filme já consegue romper um pouco com a bolha conservadora e abrir espaço para novas formas de produção adolescente.

La belle personne (2008)

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La belle personne é o tipo de filme monótono, mas ainda assim cativante. A Junie é uma personagem passiva a frente de todas as situações (o que irrita), mas isso dá um contraste interessante entre a forma que ela encara a vida/paixões e como o Sr. Nemours é todo oposto, caindo em aparente desespero. O filme não tem nada muito trabalhado, o ponto alto seria mostrar de maneira muito crua e até desinteressada as várias formas e intensidades do amor, além do final infeliz! (eita, spoiler!)

Um cadáver para sobreviver (2016)

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Um filme bizarro. Você é cativado pela história estranha e bem dirigida. Hank acaba revelando sua personalidade quando encontra o cadáver na ilha. Em um ambiente imaginário, o filme retrata com uma sensibilidade peculiar o auto-conhecimento através da miséria humana. O ponto interessante é perceber no extremo do desgaste psicológico, o quanto o personagem vai descobrindo a si mesmo ao encontrar o morto, além das canções inventadas que dançam com os sentimentos internos fazendo o espectador captar tais sentimentos.

Jogador N° 1 (2018)

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Um salve aos tempos de ouro do Steven Spielberg. Conhecido por dirigir produções como E.T. – O Extraterrestre e A.I. – Inteligência Artificial, Spielberg pode certamente ser rotulado como ‘o inventor da diversão’. Na fuga da realidade humilde em que vive, o personagem Wade vai para o OASIS (realidade virtual onde você pode ser quem quiser) sempre que possível. Após a morte do criador do jogo, um desafio é lançado e a diversão se torna o carro chefe. Ponto alto com certeza fazer você se sentir no jogo, toda a nostalgia oitentista atrelada a essa nova geração e como o digital e o orgânico se misturam num espetáculo visual incrível.

Ana e Vitória (2018)

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Uma comédia romântica e musical que de fato surpreendeu. Apesar de ser um filme apressado na ideia original que era contar como a dupla surgiu e como conquistaram sucesso (além do baixo orçamento que é perceptível), o filme foge do convencional das comédias românticas mostrando um painel de relacionamentos (bem) modernos e o relacionamento forte dessa geração com a tecnologia. Ponto alto é a entrega de uma visão aberta de mundo, sem esteriótipos afetivos e claro, as cenas musicais que geralmente estão ligadas as redes sociais.

Vivendo na eternidade (2002)

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Um filminho água com açúcar, com belas paisagens e lição de moral. Ah, vai… Até que filmes sem ‘muita’ pretensão são necessários. Aquele clichê que já vem no titulo, será que valeria a pena viver para sempre? Nesse filme é explorado até que de maneira “pé no chão”, no filme a personagem Winnie precisa decidir se vai embora com Jesse após beber da fonte da juventude ou se vive sua vida com o tempo que ela realmente terá. Ponto alto? Preciso soltar um spoiler (sorry), o filme mostrou um lado feminino muito bom de retratar, em que a mulher não se mostra submissa ao homem e claro, a lição: “Não tenha medo da morte, tenha medo da vida não vivida.”

 Pierrot le Fou (1965)

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Sempre quis assistir um filme do Godard (tá bom, “Eduardo  e Mônica” mandaram lembranças!), também queria entender melhor a estética ‘Nouvelle Vague’ e daí me indicaram esse filme. “O demônio das onze horas” titulo em português, tem uma narrativa com uma linguagem dúbia que nos leva a várias interpretações, é um filme que explora o conceito da vida e da liberdade, quando personagens buscam a essência de viver e aproveitam o trajeto. Aqui o ponto alto é perceber que os personagens personificam sim um ponto gigante de interrogação e exclamação e, ao mesmo tempo, na sede de descobrir quem são, o casal usa como muleta para essa viagem a literatura e a pintura, nos cativando.

P.S: Quero fazer uma ressalva. É engraçado pensar que se eu tivesse assistido esse filme dois anos atrás, provavelmente ia achar ele sem sentido algum e taxado de ‘perca de tempo’, mas acho que Paulo Freire se encaixa aqui quando diz que “A leitura do mundo precede a leitura da palavra“, de fato, precede e faz muita diferença.

É isso, bejas!

9 comentários Adicione o seu

  1. Jorge Sasgarante disse:

    Saudações, Maby! 🙂

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    1. Maby Ferreira disse:

      ó pra isso, foram mais que duas linhas! hahaha saudações! 🙂

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  2. Mayara Freire disse:

    Parabéns pela construção do seu texto, adorei. Deve ter dado um certo trabalho rs, mas ficou ótimo. *palmas*

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    1. Maby Ferreira disse:

      Deu um trabalhinho mesmo, mas eu passei tanto tempo sem postar q fiz um esforço! Hahaha Obrigada! ♡

      P.S: cadê ‘meus’ sobrinhos? kkkkk #parei

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      1. Mayara Freire disse:

        Ah, achei super justo!

        P.S: estão bem, hoje Klarice me ajudou a mexer na caixa de livros, mas entramos em conflito pq ela queria abrir a de tintas também kkkkk por fim deu tudo certo

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      2. Maby Ferreira disse:

        Tá vendo? Puxou a tia aqui, alma de artista! [espero que ela tenha mais habilidade] rsrsrs ♡

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      3. Mayara Freire disse:

        E melhor que a tia aqui também kkkkkk

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  3. Me encina afazer um blog a sim

    Curtido por 1 pessoa

    1. Maby Ferreira disse:

      Eita! Se tivesse como, eu até lhe ajudava! hahah :p

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