Norman fucking Rockwell – álbum

O sexto álbum de estúdio da Lana Del Rey foi lançado no dia 30 de agosto, uma semana após o Lover da Taylor Swift, ambos do mesmo produtor: Jack Antonoff.

Norman fucking Rockwell”, um disco boca-suja, cheio de sarcasmo e personagens confusos, onde Lana traça um caminho entre a tragédia e a esperança.

O Norman Rockwell, o artista citado no título, foi um pintor americano que retratou em suas obras a cultura americana em seu cotidiano, sendo desdenhado por críticos sérios que achavam seu trabalho ‘burguês’ e ‘idealista’, Rockwell já em seus últimos anos, recebeu mais atenção ao retratar temas mais sérios como o ‘racismo’.

“A música é sobre esse cara que é um artista gênio, mas ele sabe disso e não fica calado sobre isso”, afirmou Lana Del Rey.

Lana evoca nas suas canções uma visão sarcástica da cultura americana, bonitos arranjos de cordas e referências à Califórnia, onde ela mora hoje.

Faixa à faixa:

Norman Fucking Rockwell

O álbum é iniciado com a faixa-título que tem uma introdução meio clássica e vai entrando com o uso de violinos e piano, uma música elegante que abre o disco muito bem, criando uma atmosfera que irá perpetuar por todo o álbum, algo entre o sofisticado e o largado. Moldando a nova imagem da Lana Del Rey, alguém agora no controle dos seus relacionamentos, deixando pra trás sua figura fragilizada, com homens inalcançáveis e mais velhos. Agora, Lana conduz.

Caramba, macho infantil
Você age como uma criança, apesar de ter um metro e oitenta de altura

Mariners complex apartament

É uma canção com quê radiofônico, no entanto, não se compara ao pop que está no mercado atual. A música é bem trabalhada com vozes de fundo, sons analógicos e uma atmosfera do pop vintage puxando um pouco para o folk. Uma belíssima canção com piano. Uma sonoridade que embala. Minha segunda favorita do álbum.

Você está perdido no mar
Então, vou conduzir seu barco de volta para mim […]
Eles confundiram minha gentileza com fraqueza

Venice Bitch

A música que tem quase dez minutos de duração, traz um pouco do rock psicodélico, uma áurea meio nostálgica principalmente pelo toque de sintetizadores que encerram a música  – parte que alguns chamaram de ‘enrolação desnecessária.’ Lana contou que gostaria de uma canção para as pessoas que gostam de sair e dirigir no verão ouvindo uma melodia, mesmo seu produtor sendo contra, ela foi lá e fez. Ainda bem, acho eu.

Fuck it a love you

Uma música que sem duvidas fica na sua cabeça pelo ritmo espaçado, o refrão explícito e repetido de forma bem largado e, ainda assim, algo que remete ao clássico mas com uma letra sem preocupação lírica, poética – algo que a Lana faz muito bem. Além disso, a letra fala muito sobre o estado de espírito da

Queria que você só me abraçasse ou dissesse que é meu

Doin time

A mais animada do álbum, uma canção de arena mesmo, com arcos bem ritmados e batidas que trazem uma energia a música. Ah, e o clipe? Preciso dizer que um dos mais ‘icônicos’ dos últimos tempos, com referências ao filme “O ataque da mulher de 15 metros”, de 1958. O clipe é sem dúvidas, diferente do que está em voga.

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Love song

Literalmente uma ‘canção de amor’, com piano e uma voz mais doce, meio aveludada que traz um sentimento de trilha sonora, algo pra ouvir e se perder em pensamentos.

No seu carro, eu sou uma estrela e estou queimando através de você

Cinnamon Girl

A mais pop do disco, uma canção de arena também, possivelmente será cantada a todos pulmões pelos fãs (pesquisando rápido, você percebe que é uma das favoritas), ela tem muitas batidas e vozes mixadas.

How to dissapear

Algo nessa canção deixa o ambiente muito saudosista, quase natalino (risos). Uma canção que mesmo trazendo esses sentimentos, é feita de forma computadorizada e com toques repetitivos, ainda assim, bem original.

Califórnia

Começa suave e vai crescendo, levando a um refrão bem forte com ares quentes, que facilmente fica na cabeça.

The next best American records  

É mais uma do álbum que mistura o aspecto vintage com o moderno – aquilo que é feito no computador, apesar de ter um aspecto mais acústico (sim, é possível).

The greateast

A música que traz ótimos vocais e um solo instrumental que é o ápice da canção (ouvir isso em fones de ouvido é fundamental), sem duvidas aquela canção que seduz, embala você, completamente. Além de belos acordes e melodias, a música traz uma letra que vai do sentimento nostálgico à críticas sociais. Minha favorita.

Los Angeles está em chamas, está ficando quente
Kanye West está loiro e esquecido
Life On Mars não é apenas uma música

Bartender

É uma música mais melancólica, com uma voz mais leve e sons computadorizados que dão um efeito legal, além disso, Lana mesmo faz um joguinho sonoro com o nome da canção e o tique melódico.

Happiness is a butterfly

É uma música minimalista, onde a voz da Lana vem ainda mais melancólica, leve e o som indie, mostrando que o álbum dialoga bem em suas alternâncias.

Hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it. 

O título já entrega o quão profunda e sofisticada é a canção. Uma música de confissão, cantada de forma delicada se apropriando do piano e do aspecto de composição menos irônico, sendo sincera e encerrando o álbum com uma interpretação pura, limpa. Um poema musicado. (entra na minha santíssima trindade do álbum)

Confessar tudo junto com os alcoólatras é o único amor que eu conheço exceto pelo palco, que eu também considero meu lar quando não estou em casa (…) Uma mulher moderna com uma constituição fraca

Lana que tornou-se conhecida por suas canções “deprê”, traz um trabalho que revisita seu passado mais de forma madura, se apropriando da sua melancolia e temas questionadores, mas também de melodias e acordes que dançam entre o velho e o novo, mostrando que é uma artista única, alguém que vai na contra mão do que se vê na mídia. O álbum não pede por elaboradas técnicas vocais ou arranjos sonoros de produção extravagantes porque a canção ganha espaço no charme e na delicadeza daquilo que ela se propõe a ser. É um disco elegante, mas com ‘o toque’ Del Rey da coisa. Aqui, Lana deixa pra trás coroas de flores, temas frágeis com atmosferas cinematográficas, roupas extravagantes etc e faz as pazes com Elizabeth Grant, despindo-se completamente – provavelmente o álbum mais confessional e intimista da carreira.

3 comentários Adicione o seu

  1. Um dia gostaria de ler um post seu sobre a Lana.
    Eu já gostei mais das suas músicas, mas depois comecei a ter uma intuição que não sei se verdadeira, de que ela não é o que canta, apenas vende um produto.
    Isso não é preocupante, apenas uma curiosidade. Na verdade muitos outros artistas, e até mesmo não artistas, fazem o mesmo, ou seja, vendem um produto q não é a sua imagem, a sua vida. E gostamos na mesma.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Maby Ferreira disse:

      Ai, não sei se sou a melhor pessoa pra falar sobre esses teus questionamentos, Miau! Lana tornou-se minha cantora favorita de uns tempos pra cá, sinto que a gente nunca é justo o suficiente. rsrsrsrs
      Eu penso que a Lana desde a época em que trabalhava de babá (e, claro, isso n muda o fato dela ser filha de milionários), tocava nos bares sendo Lizzy e adquiria fatídico vício em álcool, me parece alguém que vive no sonho de ser uma figura do passado ou ao menos ter o nome atrelado a isso – alguém que diz se identificar primeiramente com a escrita, antes da música (n atoa, está pra lançar um livro de poesias). Ela sempre gostou de criar atmosferas, personagens. Suas canções tem sempre um Q cinematográfico ou autobiográfico… Enfim, concordo que isso daria mesmo um post, hein! Já falei um bocado! 😅💛 bjosss!!!

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      1. Obrigada! Já aprendi um bocado sobre ela só com a sua resposta. Rsrs Não fazia a mínima ideia sobre a possibilidade de um breve livro de poesias escrito por ela. Eu admiro os artistas q vão além do cantar, e tornam-se ativistas, escritores, desportistas, etc.

        Curtido por 1 pessoa

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