A gente não vai pro espaço, já pode se preocupar.

Existem vários filmes que exploram o futuro da raça humana, por exemplo, o fabuloso interestelar do Christopher Nolan, que fica a provocar o expectador sobre o fim dos recursos naturais e como a humanidade irá lidar ou ‘escapar’ deste fim inevitável.

Todas aquelas cenas de foguetes, espaço, nuvens de poeira, cientistas, engenheiros… todas aquelas cenas apontam para um futuro, um futuro não muito distante.

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Pessoas estão a conversar no meu círculo de amizades, o futuro é sempre um pauta instigante, do tipo “quando eu for para Paris”, “quando eu fizer meu doutorado”, “quando eu casar, tiver dois filhos, casinha com cerca branca e um cachorro” etc, são pautas que todo mundo meio que joga na mesa alguma altura da vida, essa coisa do “quando”, essa coisa de se imaginar e tudo o mais, então… que futuro?

Se a gente não mudar o sistema, não vai ter esse futuro que a gente tanto fala. Parece besteira, parece. Mas não é. Parece radical, mas é importante dizer que mudanças são necessárias.

Existe uma urgência, pois um conjunto de crises está a gerar uma crise ecológica global e eu sei que disto você sabe, aliás nas aulas de geografia todos aprendemos sobre os gases de efeito estufa que causam o aquecimento global, mudanças climáticas e afins, não é novidade nenhuma, certo? O que é novidade pra muita gente é a forma que devemos encarar isso e não é simplesmente fechando a torneira na hora de escovar os dentes ou usando balde d’água pra lavar o carro  – todo mundo já sabe que a atividade com maior consumo de água do mundo é a agropecuária, mais uma vez a indústria como vilã do “bem viver.”

Como mudar o modelo? Sim, ele precisa ser mudado caso você não queira que seus filhos e netos fiquem em um cenário pós-apocalíptico onde apenas os milionários e bilionários estarão no espaço ou em bunkers, não atoa você pode jogar no Google e ver que já tem gente muito rica a investir em tais coisas, eu não tô brincando.

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Bom, você não muda! Já vou logo adiantando, você não muda o modelo sozinho. É necessário uma organização política coletiva e isso tem que vir da maior parte da sociedade, que no caso, é quem? Isso mesmo, a classe trabalhadora.  Claro, você pode criar possibilidades e há coisas que você pode fazer que afeta diretamente a quebra do modelo, já te explico.

Primeiro, a gente sabe que na sociedade capitalista o consumismo é uma ideologia,  certo? A ideologia de que a sua felicidade está diretamente ligada a ideia de possuir, ter coisas. Será que eu preciso consumir tanto e na velocidade que eu consumo? Historicamente ninguém morreu ou viveu muito mal por não ter 40 pares de sapatos ou vários aparelhos eletrônicos (não estou dizendo para não consumir, estou dizendo para fazer uso do necessário), antigamente roupas, por exemplo, eram passadas de geração em geração – irmãos mais velhos cediam aos novos etc -, mas se fala em brechós na atualidade as pessoas se contorcem a uma lógica que oprime, porque no capitalismo você vale mesmo o que tem. O exemplo da máquina de lavar é ótimo, num prédio por exemplo, fique a pensar que existem 30 apartamentos e em cada um deles há uma máquina, pergunte quantas vezes no mês essa máquina é usada por cada família e bem, saberá que não seriam necessárias essas trinta máquinas, a lógica capitalista adoece a humanidade e não abre espaço para uma ponte solidária.

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Se a gente quer superar esse modo de vida, esse modelo vigente a gente precisa dar início a um tipo de prática, e usar de uma das maiores forças do próprio sistema capitalista, que seria? O dinheiro. Para ONDE e para QUEM seu dinheiro está indo? A quem você está dando poder?

Se a gente quer ver outro tipo de pessoa no poder, com práticas que viabilizam um novo modelo, um modelo que defenda o ecossocialismo, por exemplo – a gente precisa parar de alimentar quem não tem os mesmos interesses que a gente.

Você pode debater essas ideias no seu micro, já ajuda a fortalecer mudanças – ainda que lentas -, a gente precisa parar com o extrativismo, mudar as fontes de energia, parar de queimar combustíveis fósseis, mexer na nossa alimentação etc, uma série de coisas que não são alcançadas assim fácil, no entanto, é se conscientizando do nosso poder enquanto indivíduo que a gente pode ir promovendo mudanças significativas.

Afinal, o nosso objetivo comum há de ser transformar a sociedade fazendo uma ponte de solidariedade.

 

[esse texto não é isento de ideologia política, feito por alguém que defende a socialização dos meios de produção.] 

11 comentários Adicione o seu

  1. ainda falta muito para que possamos atingir um nível de consciência capaz de ser exercida com discernimento. vivemos duas realidades cruas e quase intransponíveis: a real e a virtual. o filme – assisti, enfim – mostra essa dura e também consciente realidade vivida no nordeste, que dia após dia continua refém de promessas e delírios inconsequentes para quem ali sobrevive. a linha não mais tênue entre as realidades criam um novo modus de disseminação de “verdades” que é construído com base em projetos de poder bem específicos. teu texto caminha para um nível de consciência crítica – quase ausente no mundo virtual – que ainda buscamos, melhor, quem acredita que possa haver comprometimento social sem outros interesses. sou dos que acredita que ainda podemos transformar nossa vida (sociedade) para melhor. gostei imenso do filme e do teu texto. precisamos de palavras e ações dessa natureza. o meu abraço.

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    1. Maby Ferreira disse:

      “a linha não mais tênue entre as realidades criam um novo modus de disseminação de “verdades” que é construído com base em projetos de poder bem específicos.” Perfeito!!!, é exatamente esse um dos fios condutores dessa história. Fico contente em saber que foi ver ao filme e que este lhe despertou para estas reflexões tão atentas. Ah, também estou feliz em saber sobre seu quadro de saúde! Obrigada por compartilhar tudo isso conosco!

      Abraços!!!

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  2. -Adoro esse filme.
    -Se essa geração não fizer algo, não virá nada após o quando.
    -Eu tb defendo a socialização. Eu tento ser humanista.

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    1. Maby Ferreira disse:

      – Miau, uma pessoa sensata dentre inúmeras sem um pingo de juízo rsrsrs

      É sempre bom saber destas coisas! 😉

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  3. estevamweb disse:

    Não deixo de vislumbrar o horizonte, mas há muito não fico a viver no futuro.. O presente me é muito caro..,

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    1. Maby Ferreira disse:

      Estevam,

      o presente anda caríssimo para a maior parte da população, de fato. É uma realidade tão triste, no entanto, não consigo não pensar no futuro – acho que tenho muito de altruísmo, às vezes é preocupante. Mas sigamos, mesmo com este presente que realmente nos cobra tanto e tanto.

      Abraços!

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      1. estevamweb disse:

        Impossível não pensar no futuro… mas, é possível evitar vivê-lo no presente… ou não? Paz e Bem, Maby.

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      2. Maby Ferreira disse:

        Até certo ponto! rsrs… ☺️!

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  4. Mayara Freire disse:

    Acredito – e posso estar errada quanto a isso – que somos uma geração que provoca, coloca em pauta e que está abrindo porta para a mudança. Uma geração que influencia o novo de forma mais ampla e diversificada, que questiona arquétipos sociais estabelecidos antes mesmo de estarmos aqui. Somos o início da mudança para um novo momento, mas talvez não estejamos aqui para vive-las.
    Ainda assim somos o começo. E como todo bom começo estamos sujeitos a acertos, erros, paciência, um pouco de lentidão e um tanto de “vamos tacar fogo nessa porra” rs.
    Precisamos mudar. Sabemos disso. Estamos fazendo isso. Mas leva tempo… Só não sei o quanto ainda sobrará até lá.

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    1. Maby Ferreira disse:

      Eu juro que estou com vontade de colocar isso em um outdoor, sério!!! Eu nem tenho o que falar, apenas te agradecer por dividir esse pensamento tão lúcido.

      “Somos o início da mudança para um novo momento, mas talvez não estejamos aqui para vive-las.” É isto!

      Abraços, Maya! 💛

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      1. Mayara Freire disse:

        Obrigada você por ter compartilhado suas ideias💚

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