As blusinhas de 19,99 são bem mais problemáticas, gente!

Esses dias estavam polemizando lá no twitter a saia da marca Burberry que a Marquezine usou no Rock in Rio, a saia estava a custar 7.947,00 (convertido em real), as pessoas estavam a dizer que este era o problema da indústria da moda e usaram do documentário The true cost para sustentar o argumento.

 

Sério?

Bom, vamos lá. O documentário faz uma crítica muito bem evidente a uma categoria especial e ela se chama: fast fashion (moda rápida).

Fast fashion são as produções têxteis em grande escala, que estão sempre a lançar tendências, feitas com materiais de baixa qualidade e que chegam às lojas custando bem baratinho. Sim, são as roupas de lojas de departamento como H&M, Forever 21, Zara, C&A, Riachuelo etc.

Lembrete:  A indústria têxtil é a segunda que mais polui o meio ambiente, ficando atrás apenas do petróleo.

Então, se as marcas de fast fashion precisam produzir em grande quantidade e de forma tão rápida, nós temos problemas. Se você quer produzir em larga escala e quer que muita gente consuma essa produção, você pensa em formas de baratear esse processo e como acontece? Bem, você vai comprar tecidos de baixa qualidade que irão durar muito pouco e daí como a fast fashion vive de tendência as pessoas irão consumir sempre e sempre, você vai baratear a mão de obra e, com isso, a gente chega a ferida que o documentário faz questão de tocar: trabalho escravo em países subdesenvolvidos. O documentário mostra como os trabalhadores vivem, sua luta por direitos, os desastres nas fábricas,   a produção de algodão geneticamente modificados, agrotóxicos em plantações, poluição das fábricas etc. É uma triste realidade.

No fim das contas os 19,99 sai muito caro, pra muitas pessoas que são tratadas de maneira desumana e sai muito caro também para o meio ambiente.

Em contra partida a fast fashion, surge a slow fashion (moda lenta), que seria um movimento que prioriza a moda sustentável e consciente. São marcas que aderem um pouco do que é tendência mas prioriza a criação de peças atemporais (jeans e camiseta branca por exemplo), produções que se preocupam com a qualidade do tecido assim a peça pode ter maior durabilidade, produzem em menor escala assim não agride tanto o meio ambiente e principalmente, que se preocupam com seus funcionários os pagando de forma justa e dentro das leis.

Não estou a dizer que as marcas de luxo, grifes etc estão isentas de qualquer problema, é claro que algumas também se enquadram nas explorações trabalhistas ou ambientais, mas não é o mais comum. Talvez o problema maior das marcas de luxo seja o status, a distinção na sociedade em quem é “rico” e quem é “pobre” mesmo, e bom, isto é outro caso a ser discutido.

Mas as pessoas precisam entender que moda também é arte, há todo um trabalho intelectual por trás, há toda uma pesquisa pra desenvolver a peça, há todo um trabalho de marketing e design, matéria-prima de qualidade, há pessoas produzindo à mão e sendo bem remuneraras pra isso, então sim, é bem mais seguro pagar um precinho mais caro do que alimentar um trabalho de exploração.

E quando a gente tem consciência disso, a gente também tem consciência de que não precisa consumir tanto, apenas o necessário (como já falei no post anterior), é interessante levar em consideração a slow fashion, pois é uma  boa ideologia já que as marcas que adere desenvolve peças que são coringas e duram muito, você precisa entender que não precisa de cinquenta, sessenta blusas que no máximo dez peças está muito bom, caso você realmente ache que precisa de cinquenta blusas a solução sustentável é: brechó.

A gente tá acostumado a ver roupa como algo muito simples. A Nataly Neri do Afros e Afins diz algo muito importante sobre: “A lógica é não necessariamente eu vou pagar caro por uma blusa, a lógica tem que ser, eu vou comprar poucas blusas e pagar o que elas valem.”

É claro que não estou crucificando pessoas que compram fast fashion – também já fiz isso muitas vezes -, é uma realidade da nossa sociedade consumir muito e consumir pelo valor, pois a maior parcela da população é pobre.

Meus pais são bem simples, de uma família pobre, no entanto, sempre priorizavam comprar peças mais caras por causa da durabilidade – era tipo um jeans e camiseta em junho e um vestido em dezembro -,  e no fim das contas quando comecei a trabalhar e comprar minhas próprias roupas, acabei comprando mais fast fashion do que esperava, e só há pouco eu percebi que as peças que meus pais compraram eram as únicas peças que ainda estavam a durar em meu armário (sem contar as que passei adiante, dando a primas e amigas), e eu também não sabia até pouco tempo sobre o quão cruel é essa indústria da moda e acredito que boa parte dos brasileiros também não saibam, então conhecimento mais uma vez é poder. Implica em dizer que quando se tem essas informações a gente reflete mais na hora de gastar, consome menos e quando consome procura ser justo.

Bom, em todo caso fica também a solução para quem não quer abrir mão das cinquentas camisetas, que são os brechós. É isso, espero que quando forem comprar roupa, pensem mais sobre.

trailer:

2 comentários Adicione o seu

  1. P. R. Cunha disse:

    Descartam-se roupas, & sapatos, & bolsas, & lixos tóxicos… & seres humanos, também.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Por serem poluidoras, começaram a aceitar “doação” de roupas em troca de vales. Melhorar a imagem? 🤔

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