Lana Del Rey: do fracasso ao sucesso

Sim, como fã, preparei uma mini biografia da Lana. Principalmente depois do último evento, a cerimônia do Grammy awards dia 26. Lana estava concorrendo em duas categorias principais, em song of the year e álbum of the year. Perdeu as duas para a jovem de 18 anos, Billie Eilish (gosto muito também), ela levou 5 grammys, porém na minha opinião só merecia o Grammy de artista revelação. Sigamos.

Se hoje, Lana Del Rey é queridinha no mundo da música, no passado a história é bem diferente.

Elizabeth Grant nasceu em NY e morava em uma pequena cidade chamada “Lake Placid”, começou a cantar no coral da escola, ela estudava em uma escola católica e, mais tarde, aos 13 anos, começou a beber muito se tornando dependente. Seus pais perceberam que seria preciso colocá-la em um colégio interno e fizeram isso. Elizabeth se recuperou, mas afirma que boa parte das canções do seu primeiro álbum que viria a ser lançado como Lana Del Rey, foram escritas nessa época “vida louca” da sua adolescência.

“Eu estava me entregando às drogas, a poesia escura, cultura pop, e ouvia música boa. Eu me acalmei muito desde então, mas eu parei de lembrar. Hoje eu vivo uma vida muito simples, mas na época fui influenciada por poetas e escritores como Alain Ginzburg e outros da geração beat.”

Depois que concluiu o ensino médio, Elizabeth foi morar com os tios em Long Island e durante viagens que fazia para ajudar na construção de casas para os nativos americanos, ela decidiu que queria viver de música e lançou um EP por conta própria no qual assinava como May Jailer Sirens, mas não deu certo. Então, cansada de viver com os tios foi pra universidade estudar filosofia e metafísica, e nesse tempo começou a se apresentar nos bares do Brooklyn como Lizzy Grant, ainda nessa época dormia no sofá de amigos e trabalhava como babá ou qualquer emprego que aparecesse na seção de classificados do jornal.

A Lizzy acabou chamando atenção de Bob Leone, ele que era responsável por agenciar novos cantores que surgiam no cenário de NY e nessa mesma época, tinha acabado de descobrir Stephanie Germanota a futura Lady Gaga, pois é!!!!

“Eu era capaz de criar um mundo para fazer que as minhas músicas realmente viesse a vida e serem mais visuais.”

Lizzy conseguiu contrato com uma gravadora pequena e lançou seu primeiro EP chamado Kill Kill, os empresários pareciam satisfeitos com o som, mas a Lizzy sentia que ainda não era o que ela queria. Surgiu então a persona Lana Del Rey, Lana por causa da Lana Turner e Del Rey por influência dos seus amigos cubanos, Costa Oeste, praias e afins, ela queria um nome exótico e esse lhe soava muito bem. Os empresários não gostaram nada da ideia, afinal ela já tinha se lançado como Lizzy Grant, mas ela estava tão decidida que comprou os direitos autorais de Kill Kill, tirou do ar e começou do zero. De novo.

Em 2011 a cantora subiu no YouTube o videoclipe de VIDEO GAMES e as coisas finalmente começaram a acontecer, sabe quem teve dedinho nisso? Abel, aquele que seria o futuro The Weenked, o cantor gostou tanto da música que subiu no seu tumblr durante 27 dias, chamando atenção de uma radialista e assim Lana foi ganhando visibilidade conseguindo contrato com uma grande gravadora, a Interscope records (sim, a mesma da já conhecida Lady Gaga).

Detalhe: Ela mesma editou o vídeo.

Eu faço vídeos desde que eu tinha 17 anos, no começo eu apenas colecionava clipes vintage de arquivos diferentes e montando imagens para músicas clássicas. Clipes que tinham um grande significado pra mim. Às vezes eram lugares que eu estive e coisas boas aconteceram comigo, eu tinha uma visão de fazer da minha vida uma obra de arte…”

Mas acha que esse é o final feliz da Lana? Nananinão.

Todo mundo estava ansioso pra ouvir ela cantar, conhecer a artista de video games, e arranjaram uma apresentação pra ela no SATURDAY NIGHT LIVE.

E Lana fez o que seria conhecido até hoje como a PIOR performance do programa. Duramente criticada, começaram não só a duvidar de seu talento como também a falar sobre sua estética, que ela era “montada”, um “personagem” e afins.

Lana nunca pareceu se importar com as críticas, parecia muito ocupada tentando se encontrar. Mas a cantora já tinha uma “carta na manga”, foi lançado seu primeiro álbum como Lana Del Rey, o famoso e bem recebido BORN TO DIE.

Bom, alguns ainda especularam que a Lana seria apenas uma cantora passageira, que era uma “fraude” e não iria conseguir entregar algo novo, diferente do que já tinha. Ela lançou um EP chamado “Paradise” ainda conversando com o Born to die. E veio o seu  segundo álbum Ultraviolence, mais outra vez, muito bem aceito (principalmente pelos fãs). Um som que misturou soft rock, pop e referências literárias. Apesar de que na época, Lana também foi criticada por romantizar abuso, e mostrar uma uma mulher fragilizada e submissa na faixa-título do álbum. Ela disse que estava apenas a contar uma história, que gostava de cantar sobre o lado escuro. Mas a cantora fez polêmica ao dizer naquele ano, que não se interessava pelo tema feminismo.

Bom, o tempo foi passando e a cantora começou a mudar suas opiniões. Lançou o terceiro álbum, o Honeymoon que foi muito bem aceito pela crítica, apesar de não ter feito tanto sucesso entre os fãs. A cantora também produziu uma canção para a trilha sonora do filme “O grande Gastby” e quase concorre ao Oscar.

Já no quarto álbum, o Lust For Life (leia a crítica aqui), uma dose de consciência social abraçou a cantora e ela começou a cantar de forma mais engajada. Pediu desculpas por sua declaração sobre o feminismo e principalmente depois do Trump ser eleito, ela percebeu o quão importante era usar sua voz para falar sobre direitos humanos, igualdade, respeito etc.

“Eu queria que… quer dizer, o nome do álbum que lancei este ano, chamado lust for life, eu senti que isso era uma espécie de círculo completo pra mim, basicamente, de born to die, e nesse meu último clipe lançado, eu danço com esse cara e eu termino o mandando embora e, para mim, simbolicamente, representa eu tomando meu próprio poder e atraindo uma forte posição. E então a última jogada sou eu dirigindo, e na minha mente eu pensei pegando estradas nunca antes percorridas. Agora eu realmente não sei… eu sei onde ir visualmente, mas para mim foi uma partida excitante sim… e acho que a vida pode imitar a arte, com certeza.”

Agora, Lana chega ao seu álbum mais bem avaliado da carreira o Norman Fucking Rockwell, agora sim a cantora conseguiu unir Elizabeth Grant e Lana Del Rey.

O influente site norte-americano Pitchfork deu nota 9.4, uma das mais altas de todos os tempos na plataforma e a maior para uma artista feminina na década.

No texto, o jornalista diz, entre outras coisas, que “no seu elegante e complexo quinto álbum, Lana Del Rey canta de forma requintada sobre liberdade e transformação e os destroços de se estar vivo. Ele estabelece a cantora como uma das melhores compositoras norte-americanas da atualidade.”

O álbum levou primeiro lugar em pelo menos cinco dos rankings mais respeitados: The Guardian, Pitchfork, Q Magazine, Slant e Stereogum, além de figurar no top 10 de NME e New York Times, entre outros. Lembrando que mesmo com o born to die ficando em 2º na parada da Billboard 200 durante 316 semanas, o próprio Pitchfork avaliou o álbum com nota 5.5, ou seja, a progressão foi enorme.

Difícil entender porque o Grammy parece ter levado em consideração charts e streaming ao invés de maturidade sonora e composição.

TEMAS

Lá no início da carreira, durante entrevista pediram pra Lana descrever sua música pra quem vai ouvir pela primeira vez, ela disse:

“Eu diria que é uma mistura da atmosfera fortemente glamourosa, acentuada do ritmo de hip hop, com arcos de verão melancólicos da trilha sonora de um filme e textos autobiográficos, que basicamente falam da morte e do amor.”

O tempo passou e a descrição ainda cai perfeitamente, a gente só acrescenta o surgimento de novos temas. Obviamente Lana Dey Rey, tomou pra si varias inspirações, principalmente da década de 60 e por isso há uma sintonia gritante com o passado.

“Existem vários artistas que me influenciaram muito, mas eu não acho que você poderia os comparar à mim.”

Moda

A cantora foi criticada por sua aparência exagerada, saudosismo ou mesmo “plásticas e preenchimento labial” mas logo em seguida, também foi parar na capa de várias revistas de moda, hoje em dia ela é embaixadora da Gucci sendo amiga próxima do diretor criativo da marca, o Alessandro Michele.

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“Minha irmã sempre diz: “Eu juro por Deus que se você se tornar um ícone da moda, eu vou me matar.” Porque eu nunca tive qualquer senso de moda, eu sempre usei todos os dias o mesmo tipo de roupa como uma calça jeans e uma camisa branca. Mas, quando eu comecei a aparecer ao vivo na tv ou qualquer coisa assim, eu comecei a perguntar para Johnny Blueeys, meu estilista para me ajudar a encontrar um pouco de “vestidos de verão e coisas assim” e eu me interessei pelo mais elegante. Não da maneira tradicional, mas como uma abordagem mais relacionada à música…”

Red carpet

Cabelos

 

Shows

Como se tivesse saído de um tempo bonito com arcos do seu verão melancólico, Lana esbanja elegância e carisma. Quando questionada sobre amor, ela respondeu:

Como você encontra o amor?

“Tipo, eu só procuro alguém que me faça sentir como se a vida fosse uma oportunidade emocionante só por estar viva, sabe… alguém que me faça sentir, tipo, elétrica… Mas, no geral, é legal ser amável, sabe e ter pessoas que sejam amáveis com você também, então…”

É isso. Espero que tenham gostado.

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Não acho que a Lana seja passageira. Ela trouxe algo de diferente.
    A Eilish faz pouco tempo q a ouvi e fiquei pasma. Aquela voz tem muito talento, e gosto da sua apresentação visual por ser mais realista com os jovens de sua época.
    Outra cantora jovem q admiro o talento é a Dua Lipa do início da carreira com Be The One. Hj já está muito diferente.

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  2. Esqueci-me de falar do The Weekend cujo video do recente sucesso é a evolução dos carros Mercedes. 😍

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